17 outubro 2014

Devolva as minhas borboletas


Postado por Nat

Image: We ♥ it.

Dez meses. Duzentos e setenta e cinco dias. Seis mil, seiscentos e sessenta e cinco horas, para ser mais exata. E parece que você me levou uma vida inteira. Ou pelo menos destroçou cada segundo que se seguiu após você virar as costas e me deixar ali, sozinha, sentada na areia fria daquele fim de tarde em frente ao mar. Foi cruel. Eu não sabia se as ondas molhavam mais os meus pés ou as lágrimas o meu rosto. Você disse Adeus, sem muita explicação, e levou o meu sorriso, a minha graça, minha paz e meu sossego. Invernou o meu verão, sem nem dar chances do sol voltar a brilhar. E apanhou, sem dó nem piedade, todas as borboletas do meu estômago que eu voltei a sentir, depois de muito tempo, naquele fim de dezembro em que você cruzou o meu caminho. Estúpido, é isso que você é. Ou passou a ser.

Talvez a tonta tenha sido eu. Que ilusão pensar que um amor de verão fosse ir além da estação. (Mas eu podia jurar, de joelhos e mãos em prece, que eles durariam pelo menos até a primeira folha do outono cair) E quão decepcionante foi sentir o frio da solidão assim, de repente, congelando qualquer calor do meu coração. Ah, meu coração. Pra quê você o levou também? Já não bastavam as minhas borboletas? Sou capaz de te perdoar por roubar o meu coração, rompê-lo em pedacinhos e atirá-lo na estrada. Eu o conserto, colo cada pontinha e faço um mosaico. Ele tem se recuperado bem, devagar e sempre, mas bem. O tempo é um senhor remédio. Mas olhe, não sei se algum dia poderei desculpar a sua audácia e maldade em levar as minhas borboletinhas... 

Acho que você sabia o quanto elas são importantes para mim. E me entristece ainda mais perceber que você não se importou com isso. Esqueceu o quanto eu me sentia protegida em seu abraço naquelas noites frias, em frente ao mesmo mar que você me deixou. Esqueceu os longos beijos trocados sob a luz do luar e que tantas vezes você ousou dizer não haver experimentado tão doces. Esqueceu as vezes em que cantou em meus ouvidos, em meio a promessas de que nunca esqueceria aquele verão. Esqueceu cada segundo em que eu te fiz sorrir, em que eu te fiz feliz, em que eu te amei com cada centímetro da minha pele. Você poderia me esquecer, mas eu só queria que não esquecesse os nossos momentos. Mas eles nunca te importaram. Eu nunca te importei. E você levou as minhas malditas borboletas...

... e sem elas eu sou incapaz de voltar a amar. A sonhar outra vez. Pode ir pra sempre, pode nunca mais voltar. Mas por favor, me deixe ser feliz outra vez, como eu fui com você durante cada um daqueles quinze dias de verão em que você foi meu e que eu fui, inteiramente sua. Você sabe, acho que isso você não vai esquecer, mesmo que seja apenas mais um número para suas estatísticas. 

Só preciso de mais um tempo pra me reerguer de vez. Ando me fortalecendo em cada flor dessa primavera que antecede o próximo verão. Então, por favor, me permita voltar a sentir o que você me fez sentir, mas com outra pessoa. E para isso, eu só preciso que você devolva as minhas borboletas...

4 comentários:

  1. {{Hugs}}
    querendo conversar sabe onde me achar!!!
    bjs

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    Respostas
    1. Fê, sua querida! ♥

      Nada demais! É só um texto "fictício". Ando gostando de escrever assim...

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    2. Que lindo, Nat! Tem jeito pra coisa, viu?

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Vou ficar muito feliz em ler seu comentário sobre o post de hoje! ♥

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