23 janeiro 2017

É o caminho, sempre o caminho. Não a chegada.


Postado por Nat

Eu escrevi isso em 2010. Mais de 6 anos depois e eu continuo tentando me encontrar.

Sou uma pessoa insegura, indecisa, sem rumo na vida, sem leme para me guiar: na verdade não sei o que fazer comigo.
(Clarice Lispector)
O amanhã. O que será o amanhã pra quem vive cada hoje como se fosse uma página desnecessária do livro mais importante do mundo? São folhas….folhas de sua história. Contos dos seus momentos. Memórias de sua vida. E a cada página virada sem a devida atenção, um borrão branco se forma na seguinte. E de vazio em vazio, já não existem capítulos completos. E o amanhã será outro hoje. Com a mesma indisciplina. Com dúvidas mais certeiras. Com erros mais latentes. Com certezas mais assustadoras. Com verdades indecentes dignas de uma história mal escrita, sem coerência. O que esperar desse livro que você está escrevendo? A letra é sua, as palavras são suas, os pontos finais são seus. As reticências também, com sua freqüência devastadora e com sua incerteza permanente. Até onde ir? Quantas páginas mais?  O que fazer? Pra onde ir? Quem te levará? 
O amanhã te pertence. De alguma forma te pertence. É fruto do seu hoje. É conseqüência da página que você não pode deixar em branco. É resultado das cores, das letras, das palavras que você coloca na página do presente. Do agora. Do ponto final que você dá a cada frase. A cada parágrafo e a cada capitulo. É a extinção das reticências….a não ser que histórias parecidas se repitam. É o encaixe perfeito dos momentos, sem vácuos, sem borrões. Com erros reconhecidos e não editados, mas aceitos. E o amanhã será o desconhecido. Com a dúvida da esperança, com a indisciplina da loucura e a certezas dos sonhos. Com verdades inesperadas e um conto de vida, vivida ao extremo. O autor é você. O guia é você.  O leme está nas suas mãos e você sabe bem o que fazer com ele. Não importa o destino, ou como você irá remar nesse mar de letras que criam o seu ontem, seu hoje e seu amanhã.  Apenas vá. E no caminho não se preocupe só com a chegada. Sonhe. Lute. Siga. E pode deixar que algum dia você chegará, e poderá olhar pra trás, sem se arrepender. 
Não saber o que fazer, ou onde ir, é normal. Mas só você pode encontrar essa resposta.

17 novembro 2016

Ela tinha o mar. Mas queria o mundo...


Postado por Nat


Foto: I ♥ it

 " A vida vem em ondas,
como um mar
Num indo e vindo
infinito..."

[Como uma onda, Lulu Santos]

Ela tinha o mar. Inteirinho, só pra ela. Do nascer ao pôr do sol, na maré alta ou rasante, entre todas as fases da lua e chuvas de inverno. Ele sempre esteve ali, com suas ondas, seus reflexos e suas manias. E ela não precisava de muito mais. Poderia se perder em devaneios, sentada na areia úmida de um fim de tarde de novembro, quando a primavera já dava ares de verão. Era sua ligação com Deus, sua força maior. O mar era sua religião. Era seu ponto de equilibrio, ainda que a vida ali, fosse pacata o suficiente para se desiliquibrar sozinha. O mar era sua casa, seu refugio, seu karma. Era seu voar com os pés no chão. Era suficiente. Era....

Um dia ela quis mais. Ela desejou o mundo.

Queria se desprender. Se desgarrar. Cortar qualquer vestigio de cordão umbilical que ainda a mantivesse ali. Não por falta de amor, mas por necessidade de amar mais. De se amar mais. Adorava a monotonia da rotina serena que aquele mar lhe brindava. Mas a vida pedia por mais. Precisava de adrenalina, de um desequilibrio natural que o mundo fora do seu mundo possuia. Ela queria: Queria ser. Queria ter. Queria viver. E sabia, sabia bem lá no fundo, que não seria fácil. Sentiria falta. Um coração cheio de calmaria não se acostuma fácil a um turbilhão desconhecido. Sentiria falta de tanta coisa que se parasse pra pensar, jamais sacudiria a areia do pé. Mas quando se quer o mundo, não se pode pensar muito ou desistir se torna a primeira opção.

Entre trancos e barrancos, o coração tenta acreditar que vai se acertar. A mente ainda procura aquele sussurrar misterioso, o vento nos cabelos, as ondas nos pés, a areia nas mãos e o sol no rosto. Se há mar no mundo? Claro.

Mas ela sempre se lembraria, desejaria e sentiria falta daquele mar. O mar que ela tinha...

O mar que, agora que tem o mundo, ela quer.


21 junho 2016

Eu não queria voar sozinha...


Postado por Nat

"...A love like this won't last forever
I know that a love like this won't last forever
But I, I don't really mind, I don't really mind at all..."

Foto: We ♥ it


Eu queria voar.

E você sabia disso. Sabia que liberdade era meu maior sonho desde a primeira vez em que nos olhamos, no alto daquela pedra, entre tantas pessoas admirando o sol se esconder. Eu amava a sensação de ter os últimos raios de sol queimando sobre meu rosto. Amava o vento sobre meus braços abertos em um fim de tarde qualquer. Amava as flores, os pássaros e as borboletas em algum campo por aí. A ideia de ser livre me deixava em êxtase. Eu sempre fui independente demais. Não me submetia a caprichos de ninguém e não deixaria que nada me fizesse esquecer o quanto eu amava ser livre, mesmo que essa liberdade fosse apenas comer brigadeiro em uma madrugada fria ou dançar até o dia chegar na boate da esquina. Você sabia. Sempre soube.

Mas eu queria ser livre com você. Porque se eu amava o pôr do sol, o meu coração pulsava ainda mais quando eu abria os olhos e você estava ali, me assistindo, entregue a energia do astro rei. E se eu amava o vento e o fim de tarde, o meu peito parecia explodir de amor se você estivesse ali, com os braços em minha cintura. Ah, e o que dizer dos campos floridos e pássaros cantando? Eles eram ainda mais lindos se você estava deitado ao meu lado olhando o céu azul. As borboletas davam voltas em meu estômago. Baby, você sabia disso. E como sabia. 

Só não contava com minha determinação em não ser o que você queria. Desde o primeiro dia, você tentou me dominar com seu sorriso fácil e seu coração vagabundo. Nunca duvidei dos seus sentimentos. Mas você não acreditava nos meus como eu nos seus. Minha liberdade te incomodava e você não me deixava ser quem eu era.

Eu queria voar. Você sabia disso. E preferiu soltar minha mão.

Doeu. Dói ainda.

Mas voar sozinha também é uma opção. E eu sempre soube fazer isso muito bem. Você também sabia.

E eu só queria que soubesse que eu queria você voando comigo. Mas sou livre demais pra me perder em você...




12 junho 2016

Vem de dentro


Postado por Nat


Oh, I’m a mess right now
Inside out
Searching for a sweet surrender

Imagem de girl, sun, and hair
Foto: We ♥ it
 Listening: I'm a Mess, Ed Sheeran



Eu estou uma bagunça. E eu sei, é inevitável vez ou outra se sentir assim. A gente só precisa perceber, sentir o caos e então, tirar o dia (a semana, o mês, o ano...) de folga e começar a colocar o coração, a alma e a vida em seus devidos lugares.

Faz muito tempo que venho me sentido bagunçada e procrastino uma arrumação no meu ego. Teoricamente conheço todos os passos que devo tomar. Cada rumo, cada sim, cada não, cada agora, cada nunca, cada quem sabe um dia. Sei o que devo fazer, o que devo deixar pra trás, quem devo levar e como arrumar cada pedacinho dessa minha bagunça. Teoricamente.

Teoria SEMPRE foi mais fácil. Pode até ser complexa, mas é sim mais fácil. Colocar em prática são outros quinhentos. Tem que ter coragem, tem que ter vontade, tem que ter maldade (no bom sentido da palavra), tem que ter habilidade. E deixa eu te contar uma coisa? Eu não tenho nada disso. Ou talvez não saiba que tenho.

Outro dia decidi que preciso arrumar a vida. Tracei, mentalmente, todos os planos. E venho tentando, do meu jeito mais tordo do mundo, colocar em prática. Questão de honra, dignidade e principalmente de cumprir tantos, tantos sonhos.

Eu sempre fui muito sonhadora. Eu tinha em mim todos os sonhos do mundo. Te juro. Nunca fiz um A pra realizar nenhum deles, só os mais bobos que nem poderia considerar sonhos, talvez eles tenham sido desejos. Sonhos vem mais de dentro, lá do âmago. Eles doem, eles arrancam pedaço, eles marcam de uma forma indescritível, realizados ou não. 

Parte dessa ordem de arrumação, enquanto estudava para um desses planos, eu fui convidada a viajar aqui por dentro de mim. Eu, viajante de coração, tinham me esquecido de tantos lugares apaixonantes que havia no meu. Por muito tempo andei desanimada comigo. E isso me tirou a paixão por escrever (acredite, esse já foi o item número 1 da minha lista de favoritos e eu o fazia muito bem!), o gosto por ler (anos sem conseguir terminar uma leitura decente!), a vontade de mudar, o amor por sonhar, a satisfação de ver um trabalho realizado, o desejo de ser melhor, a aspiração por ser maior. Eu me afundei. Me perdi. Me afoguei. Me baguncei de uma forma que eu talvez não seja capaz de deixar 100% arrumado outra vez.

Acho que voltei a sonhar. Me encontrar me fez voltar a fazer planos, a querer ser o que eu sempre quis ser quando crescer, mesmo que até hoje, com 27 anos nas costas, eu ainda não saiba. Não me julgue, não me critique, não me maltrate. Me entenda, me perdoe, me aceite. 

Ninguém é 100%. Não tem nem graça ser 100%. A gente precisa de um pouco de caos, pra dar um estalo e voltar a se organizar, se achar, se amar, se arrumar e se encaixar. Eu nem quero ser perfeita, me contento com a média, com apenas me encontrar na minha própria bagunça. E acho que estou nesse caminho...

...e se ele estiver errado, eu dou meia volta. E começo tudo outra vez.


01 dezembro 2015

Ah, o tempo...


Postado por Nat


Eu ainda me assusto com a velocidade com que o tempo passa, voa, escorre por entre nossos dedos. Talvez eu nunca me acostume mesmo e nem sei se quero ter consciência de quanto tempo ando perdendo enquanto vejo as folhas do calendários serem arrancadas na minha frente.

Não dá mais pra piscar que o verão acabou, respirar que já é inverno, suspirar que já chegou o outono, cochilar que a primavera já bateu à porta e então, dezembro chega outra vez com a toda a sua magia natalina e as promessas de ano-novo. 

Quer saber? Nem prometo mais. Nunca cumpro. Nunca mesmo. Devo achar que tenho muito tempo pela frente né? Pobre de mim! Meio que cansei de chegar nessa época e tentar fazer o balanço do que fiz ou deixei de fazer. Ai, que dor! É muita culpa que sinto por ter perdido tanto tempo! Muito nervoso por ter tantos planos que não sei nem por onde começar a colocar em prática. E nem sei se deixar o rio correr e as coisas acontecerem é a melhor maneira de aproveitar cada segundo dos próximos doze meses.

Só sei que pensar demais consome mais do pouco tempo que a gente ainda tem. Então? É viver, né? No melhor estilo cada dia como se fosse o último. Com planos? Sim. Mas com os mais imediatos possíveis. E as metas? No fundo a gente sempre sabe o que quer, então vamos cumprindo quando der, sem parar o mundo por conta de uma, ou a vida porque nada deu certo.

O tempo? Ah, meu bem, ele não espera não!

Olá Dezembro!!!! ♥

(Talvez eu tenha usado ? demais nesse post, mas ah...pelo menos eu postei e essa sempre foi uma meta!)

02 outubro 2015

o pulso ainda pulsa (e como pulsa...)


Postado por Nat


Entre tantos emails recebidos, um me chamou a atenção na tarde de ontem: um convite para renovação do domínio desse blog. E só então eu percebi ou me lembrei que eu o havia esquecido. Abandonado, conscientemente abandonado. Estranho né? Eu que arrumei a casa, deixei ele todo lindo - e continuo apaixonada pelo novo layout - simplesmente parei de escrever. Nem entrava aqui pra matar a saudade pra não morrer de culpa de estar longe.

Não tem desculpas não. Foi consciente, como eu já disse. Não quis mais. Fiquei com preguiça, desanimada e me sentindo distante demais de mim mesma pra estar aqui. E olha, nesses meses aconteceram MUITAS coisas. E também não aconteceu NADA. Dá pra entender? Acho que não. E eu também não entendo. (e preciso aprender a parar de escrever sem tantos E nos inícios de frases.)

Mas eu voltei. Continuo do meu jeito. Sem pressão, sem obrigação, sem uma missão pré definida. Apenas voltei.

Talvez mais teórica do que nunca. Cheia de dúvidas, medos e confusões. Completamente envolvida em uma fantasia que arrasta os meus dias. Mas aqui.

E você, está aí?

24 abril 2015

As "estrelas" do mar e os desejos...


Postado por Nat


No feriado eu lembrei que tenho um mar à minha disposição e fui à praia. Sol maravilhoso, maré baixa e água uma delicia. Enquanto caminhava em direção ao fundo, meus pés encontraram a infância. Como se estivesse pisando em falso, eles iam encontrando muitas bolachas-do-mar. E olha, me veio uma nostalgia instantânea.

Eu não sei você, mas bolachas ou estrelas do mar, como sempre chamei, eram presença constante nos meus dias de sol e mar, ainda menina. Ir à água e não disputar quem pisava mais, pegava mais, com a mão, com o pé, sem mergulhar, os dedos amarelados e manchados de tanto segurá-las...era como ir à praia e não ter diversão completa. Uma coisa boba, ingênua e tão feliz. Mas feliz ainda era acreditar que elas tinham um poder muito especial. Realizar nossos desejos. Escolher a maior de todas, quebrá-la ao meio e encontrar o tesouro. A estrelinha principal, tão delicada e linda, fechar os olhos, virar de costas para o infinito, fazer um pedido e jogá-la pra trás. Ah...quantos suspiros. Quantos desejos. Quantas estrelas...

Tenho certeza que era desejos bobos. Era uma ingenuidade pura. Quem sabe uma boneca, ou um sorvete no fim de tarde. Mas era de coração e cheio de esperança. Talvez seja isso que falte agora, anos e tantas coisas depois. As estrelas continuam ali. O mar e o infinito também. Os sonhos talvez sejam maiores, a esperança cada vez menor.

Mas, ainda assim, eu agarrei uma estrela. Eu fechei os olhos. Eu me virei contra o infinito e fiz o meu pedido. E joguei, com toda a esperança do mundo e que ainda me resta, minha estrelinha de volta ao mar...


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